terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Como escolher uma luminária

A escolha da iluminação adequada para a sua casa, escritório, jardim ou de qualquer espaço que você pretenda viver ou trabalhar passará impreterivelmente pela escolha das luminárias corretas, ainda que essas “luminárias” sejam detalhes de arquitetura como as sancas mencionadas em meu último post.

Mas se você leu o texto anterior sabe que teremos em breve uma continuação e dessa forma as sancas não farão parte do assunto abordado hoje.

Dessa vez falaremos exclusivamente de luminárias, suas funções e como escolhe-las.

Pois bem. Quando compramos uma luminária o que devemos levar em consideração?

Alguns dos fatores que devem ser observados na compra e instalação de uma luminária são os seguintes:

Estética: A luminária tem que ter “a sua cara” e “a cara do projeto”.

É fundamental que a peça escolhida lhe agrade e transmita exatamente o que você deseja em termos estéticos e de design. É igualmente importante que essa peça esteja coerente e em harmonia com o projeto de interiores onde ela será instalada. Lembre-se que pendentes, arandelas, plafons, abajures e pedestais, além de serem luminárias também serão elementos decorativos.

A luminária só é luminária quando está acesa.

Luminária especial pendente Studio da Luz Carioca:
Design e adaptabilidade a diferentes ambientes
www.luzcarioca.com.br

Pendente Gávea da Luz Carioca:
A estética marcante destaca-se no ambiente
www.luzcarioca.com.br

Funcionalidade: De nada adianta uma luminária linda instalada com destaque se ela não gera a luminosidade necessária.

Sempre verifique antes qual a sua capacidade e efeito luminoso. Veja a luminária acesa para evitar decepções futuras. Às vezes, caso se opte por uma peça que tenha um apelo estético forte mas não seja tão eficiente fonte luminosa, é necessária a instalação de fontes luminosas auxiliares. Nessa situação é importante fazer uma avaliação correta para que a composição final, funcional ou esteticamente, seja eficiente.

Luminária Bossa do designer Fernando Prado fabricada pela Lumini:
Exemplo de apuro estético e versatilidade funcional
www.lumini.com.br

As luminárias da Aqua Creations:
Presença forte e iluminação suave
www.aquagallery.com


Manutenção: Você não deve ficar “praguejando” cada vez que precisar trocar uma lâmpada.

A manutenção periódica das luminárias não deve ser um transtorno e muito menos deve ser pensada para ser executada por especialistas. Procure observar e perguntar ao vendedor como se procede a substituição de lâmpadas, reatores, transformadores e outros elementos que compõe a luminária.

Outro fator fundamental é a limpeza. Verifique como deve ser feita, observe relevos e pontos que possam acumular poeira. Pergunte também sobre a facilidade em encontrar peças de reposição. Muitas vezes alguns tipos de lâmpadas só estão disponíveis em lojas especializadas no ramo o que eventualmente pode ser inconveniente.

Luminária pendente Porca Miseria do designer alemão Ingo Maurer:
Sou admirador do trabalho de Ingo Maurer há anos, mas
preciso
admitir que deve dar trabalho limpar essa luminária.
www.ingo-maurer.com
Luminária pendente J. B. Schmetterling do designer alemão Ingo Maurer:
Só para não dizerem que fiquei somente na crítica (aliás, longe de mim criticar o Ingo Maurer), Essa sem dúvida uma das luminárias mais bonitas e delicadas que já vi.
www.ingo-maurer.com

Vale considerar ainda algumas questões como o bom senso na escolha e instalação. Um pendente sobre uma mesa, seja de jantar ou trabalho, deve ser adequadamente posicionado para não obstruir a visão das pessoas ou ainda ofuscar pela visão das lâmpadas.

Arandelas devem sempre ser ajustadas à altura indicada pelo fabricante ou na ausência dessa, numa altura que impeça a percepção da lâmpada ou ainda como ocorre em alguns casos que as pessoas se queimem em um contato acidental com a peça.

É importante a atenção aos diferentes efeitos luminosos criados por cada luminária
imagem: http://www.decoracaoparaimoveis.com.br/


Luminárias que permitem a visualização das lâmpadas no caso de lâmpadas incandescentes devem ser observadas com atenção, pois como se sabe nos próximos anos essas lâmpadas não serão mais fabricadas.

Nos parágrafos acima mencionei o ofuscamento. Muita atenção a esse aspecto, uma das piores sensações é de uma luz incomoda incidindo direto sobre seus olhos.


A aplicação de difusores elimina o ofuscamento
causado pela visualização direta das lâmpadas
Projeto: Studio Iluz www.studioiluz.com.br

A lâmpada ligeiramente recuada e as bordas internas pintadas
de preto fosco criam um efeito anti ofuscamento na luminária

Projeto: Maneco Quinderé www.manecoquindere.com.br



Por último eu consideraria a cor da lâmpada apresentada na luminária. 

Luminárias que fazem uso ou podem fazer uso de lâmpadas fluorescentes de qualquer tipo estão sujeitas a variação de cor de luz apresentadas por esse tipo de lâmpada.

Em poucas palavras, para luminárias residenciais, para ambientes mais íntimos e informais, para ambientes em que haja a intenção de relaxamento, o ideal é optar-se pelas lâmpadas de luz amarelada.

As luzes brancas são mais adequadas a ambientes comerciais e impessoais, ou ainda em locais onde as ações  desenvolvidas necessitem de maior dinamismo e atenção. Se for instalar na sua casa esse tipo de lâmpada opte por colocá-las na cozinha, copa ou lavanderia.

Certamente algumas dúvidas ainda devem pairar. A iluminação não é um tema fechado e todas as colocações feitas têm suas exceções e adendos, o que já me sugere mais posts sobre cada um desses assuntos.

Até a próxima.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Iluminando com Sancas (parte 1)

Em meu último post dei uma “pincelada” rápida sobre alguns expedientes e ferramentas de iluminação, e o primeiro deles foi a sanca. 

Vou falar um pouco mais sobre isso.

O que são sancas?

A sanca é um recurso extremamente versátil aplicado na chamada por alguns “arquitetura de teto”. Abrindo um pequeno parêntese para entendermos melhor esse termo, a arquitetura de teto como o nome sugere, trata-se do estudo do layout do teto como elemento espacial. Embora o termo não seja propriamente desconhecido da maioria dos profissionais, ainda não é plenamente utilizado e muito menos conhecido do grande público.

Originalmente as sancas aparecem como molduras e adorno no encontro do teto com as paredes de um ambiente.

Com o surgimento e evolução da iluminação elétrica rapidamente se percebeu o potencial das sancas como ponto de emissão de luz, particularmente em função da sua posição estratégica, e a partir disso seu uso tem crescido juntamente com as novas técnicas de construção.

Atualmente somando ao conceito original descrito no parágrafo anterior podemos acrescentar que sancas são volumes negativos ou positivos apresentados no teto. Geralmente feitas em rebaixamentos de teto em gesso, embora sejam utilizados diversos outros materiais, é possível encontrá-las em construções mais antigas feitas até mesmo em concreto, o que não é mais visto atualmente.

O foco da minha abordagem entretanto é o da iluminação e não o construtivo. De qualquer modo vamos conhecer os tipos mais comuns de sancas.

Sanca Fechada:

A sanca fechada é basicamente é uma caixa aplicada ao perímetro do ambiente. Como não há aberturas o único recurso disponível para a iluminação é através da colocação de embutidos. Nesse caso é importante sempre antes de comprar as luminárias verificar a distância do forro de gesso à laje para garantir que a peça caiba com folga e tenha a ventilação adequada.

Sendo assim a iluminação será sempre direta, ou seja, do teto para o chão.

Sanca Fechada com embutidos (luz direta)
imagem: www.silgesso.com.br

Sanca Fechada com embutidos (luz direta)
imagem: www.silgesso.com.br


Sanca Aberta:

A sanca aberta consiste basicamente em uma bandeja, que assim como a sanca fechada é aplicada ao perímetro do cômodo, que pode ser utilizada para abrigar pontos de iluminação. Existem diversos tipos de lâmpadas que podem ser utilizadas em sancas abertas, claro que cada uma com sua característica específica.

A sanca aberta sempre irá gerar uma iluminação indireta, ou seja, a luz emitida pelas lâmpadas rebaterá no teto e refletirá sobre o resto do ambiente. A característica principal desse tipo de iluminação é a difusão e a suavidade da luz. É uma iluminação bastante eficiente como luz geral e ao mesmo tempo relaxante.

Sanca Aberta (luz indireta)
imagem: www.ldstudio.com.br

Sanca Aberta (luz indireta)
imagem: gessomarcondes.blogspot.com.br

Sanca Invertida:

A sanca invertida ao invés de partir da parede para o teto parte do teto para a parede. Sancas invertidas também podem ser abertas ou fechadas e nesses casos os resultados obtidos com a iluminação serão os mesmos.

Sanca Invertida com iluminação (luz indireta)
imagem: www.studioiluz.com.br
Sanca Invertida com iluminação (luz indireta)
imagem: spotluzeconceito.blogspot.com.br/


Uma particularidade com relação à esse tipo de sanca é que ao instalar uma sanca invertida aberta com iluminação junto a uma parede o rebatimento da luz se dará nessa parede, o que chamamos de “lavar” a parede com luz ou como alguns preferem, wall wash em inglês. Esse efeito é muito impactante e pode ser utilizado como elemento de destaque.

Efeito Wall Wash (luz indireta)
imagem: luzedesign.blogspot.com.br


Duas observações nesse caso. Se for aplicar a uma parede, certifique-se que a mesma esteja muito bem acabada e pintada, sem marcas ou desníveis. A luz gerada nessa situação destaca qualquer imperfeição. Esse recurso também fica muito interessante se ao invés de aplicar a uma parede aplicar a cortinas.

Certamente você irá encontrar outras nomenclaturas e derivações das classificações apresentadas aqui já que não existe uma normatização sobre o tema. Seja como for, importante é se ter uma noção das possibilidades desse recurso

Ainda vou me aprofundar nesse tema novamente e falar mais detalhadamente sobre dimensionamentos, tipos de lâmpadas a algo mais.

Mas isso fica para outro post.

Obrigado e até a próxima.